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Muito além de troféus: como as competições de robótica desenvolvem habilidades para o século XXI

30 de outubro de 2026 por
GIOVANNI RAZZANTE KENEZ

Muito além de troféus: como as competições de robótica desenvolvem habilidades para o século XXI

Quando um robô entra em uma arena de competição, o público acompanha seus movimentos e celebra cada desafio superado. Mas o que acontece antes disso é mais importante do que o resultado final. Por trás de cada robô há estudantes que pesquisaram, testaram e enfrentaram as falhas. Conheço bem esse processo, pois as competições de robótica fazem parte da minha vida e foram fundamentais na minha formação.

Meu primeiro contato com esse universo aconteceu ainda na escola, por meio da FIRST LEGO League. O que começou como uma oportunidade de participar de desafios despertou minha curiosidade pela engenharia. Mais do que aprender a mexer com robôs, descobri o prazer de investigar problemas e buscar soluções. Essas experiências influenciaram meus interesses e contribuíram para minha escolha profissional.

Foi nas competições que aprendi uma das lições que carrego comigo: errar faz parte de evoluir. Quando um robô não funciona como o esperado, é necessário investigar se o problema está na programação, na montagem ou na estratégia. Cada tentativa gera novas perguntas e possibilidades. O erro deixa de representar um fracasso e passa a ser parte da descoberta, estimulando o pensamento crítico, a criatividade e a vontade de melhorar.

Essa busca por evolução se aproxima da ideia de insatisfação positiva, defendida pelo filósofo Mario Sergio Cortella. Trata-se de reconhecer que uma conquista não precisa representar o ponto final de uma jornada. Mesmo depois do fim de uma competição, sempre existe uma solução a aperfeiçoar ou um conhecimento a adquirir. Essa inquietação construtiva se tornou um dos principais motores do meu desenvolvimento.

Ao ingressar no Instituto Mauá de Tecnologia, encontrei na equipe de robótica KMN uma oportunidade de aprofundar essa paixão. Os desafios das competições deram sentido aos conhecimentos adquiridos na graduação em Engenharia. Conceitos estudados nas aulas passaram a ter aplicações concretas. Aprender e aplicar tornaram-se partes do mesmo processo.

A minha participação em competições nacionais e internacionais ampliou minha visão de mundo. Conhecer diferentes lugares, trocar conhecimentos e conviver com outras culturas mostrou que a robótica ultrapassa fronteiras. Muitos dos aprendizados mais importantes aconteceram fora da arena, nos momentos de preparação e na convivência diária com pessoas que compartilhavam a mesma motivação.

Dentro de uma equipe, desenvolvemos muito além de habilidades técnicas. É preciso ouvir opiniões, dividir responsabilidades, administrar conflitos e tomar decisões. Nem sempre as ideias são aceitas ou os resultados são como esperados, mas aprender a lidar com isso fortalece competências como comunicação, colaboração, liderança e empatia, essenciais para a vida profissional e para as relações pessoais.

Com o passar dos anos, minha relação com a robótica se transformou. De aluno e competidor, passei a vivenciar o papel de mentor e professor, compartilhando conhecimentos e acompanhando estudantes em suas descobertas. Hoje, na ZOOM, tenho a oportunidade de contribuir para a criação de soluções e experiências de aprendizagem que valorizam o aprender fazendo, a investigação e o protagonismo. É uma maneira de proporcionar a outros jovens oportunidades semelhantes às que me transformaram.

Essa vivência reforça minha convicção de que o valor dos torneios não está apenas nas conquistas. Está na curiosidade despertada, nas amizades construídas, nos desafios superados e na confiança que cada estudante desenvolve ao perceber que pode criar suas próprias soluções. E é por isso que, mesmo depois de tantos anos, a paixão pelas competições continua presente.

No fim, um robô pode ganhar ou perder uma partida, mas os aprendizados permanecem. No meu caso, as competições ajudaram a despertar uma vocação, ressignificaram minha formação e continuam influenciando meu trabalho. Mais do que preparar jovens para novos torneios, a robótica pode abrir caminhos que eles ainda nem imaginam percorrer.



Giovanni Kenez

Mestrando em Engenharia pela Universidade de São Paulo (USP) e formado em Engenharia de Controle e Automação pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT). É designer de produto e grande entusiasta de competições de robótica, tendo participado de diversos campeonatos no Brasil e no exterior nos últimos doze anos.

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