A cultura do Erro: criatividade Requer margem Para Arriscar.
O modelo educacional sob o qual a nossa sociedade foi moldada carrega heranças diretas do período pós-Revolução Industrial. Naquela época, a prioridade era a eficiência mecânica e a padronização: no chão de fábrica, qualquer desvio ou falha significava prejuízo e desperdício de recursos. Essa mesma lógica acabou migrando para a educação. Somos ensinados, desde cedo, por meio de avaliações e dinâmicas escolares tradicionais, a acreditar que o objetivo principal é a busca constante pela resposta exata e a prevenção do equívoco a qualquer custo. O problema é que, ao punir o desvio e tratar a falha como um sinal de insucesso, a escola muitas vezes elimina o ambiente seguro necessário para que o pensamento divergente floresça.
O medo de errar
Essa reflexão ganhou o mundo em 2006, quando Sir Ken Robinson apresentou a palestra mais assistida da história do TED, intitulada "Do schools kill creativity?" ("As escolas matam a criatividade?"). Nela, o educador cravou uma frase emblemática: "Se você não estiver preparado para errar, não terá uma ideia original." Para Robinson, o medo de falhar estrangula a capacidade inventiva de crianças e jovens, condicionando-os a repetir padrões em vez de criar algo autêntico.
Na mesma apresentação, Robinson defendeu uma tese ousada: a de que a criatividade deveria ter, na escola, o mesmo peso da alfabetização. Se naquele momento a internet apenas acelerava o acesso à informação, hoje, o cenário é completamente diferente. Com a Inteligência Artificial Generativa, os estudantes têm à disposição ferramentas que entregam respostas prontas em segundos, sem que precisem pesquisar, filtrar conteúdos ou estruturar o próprio raciocínio. Nesse contexto em que a tecnologia faz o trabalho básico e repete padrões, a tese de Robinson se torna ainda mais urgente: a criatividade e a capacidade de pensar diferente deixam de ser um diferencial e viram uma necessidade real.
O desafio da Era Digital
O impacto dessa combinação entre o receio de errar e a busca por respostas instantâneas reflete-se em dados oficiais. Aplicado a cada três anos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em dezenas de países com estudantes de 15 anos, o PISA é a principal referência global sobre a qualidade da educação. No ciclo de 2022, o exame avaliou pela primeira vez o pensamento criativo e a capacidade dos jovens de desenvolver pensamento divergente. Os resultados revelaram um cenário alarmante para o Brasil, que ficou na 44ª posição entre 56 nações, com apenas 11% dos alunos alcançando níveis altos de desempenho em capacidade inventiva.
Mais recentemente, nos resultados do PISA 2025, aplicados em 91 países e divulgados em setembro de 2026, o foco voltou-se para a aprendizagem no ambiente digital e o uso de ferramentas computacionais. O relatório mostrou que quase metade (cerca de 48%) dos estudantes brasileiros de 15 anos já utiliza chatbots de Inteligência Artificial para estudar ao menos uma vez por semana.
A reflexão que precisamos fazer diante desse cenário é inevitável. Se em 2022, antes da popularização massiva da Inteligência Artificial Generativa nas rotinas escolares, nossos estudantes já apresentavam enorme dificuldade para pensar de forma original e arriscar novas hipóteses, o que esperar dessa nova geração que cresce acostumada ao atalho das respostas prontas?
A Inteligência Artificial surge como uma ferramenta de potencial indiscutível, mas os relatórios revelam que seu efeito depende da forma como é utilizada. O risco surge quando a tecnologia substitui o esforço cognitivo do estudante em vez de apoiá-lo. Ao recorrer a chatbots para obter resumos automáticos ou trabalhos prontos, o aluno pula etapas cruciais de leitura, interpretação e construção de repertório, que são competências vitais para a compreensão de qualquer área do conhecimento. Terceirizar o pensamento para a máquina enfraquece a base de conceitos necessária para criar algo autêntico. Afinal, para que o cérebro proponha soluções originais, ele precisa antes ter sido provocado a ler, investigar, testar e errar por conta própria.
A prática como ferramenta de mudança
Superar esse diagnóstico exige transformar a relação da sala de aula com a tecnologia em uma experiência viva, intencional e autoral. Há três décadas, a ZOOM education for life acredita no poder do aprender fazendo. Como empresa pioneira e líder de mercado no Brasil, a ZOOM entrega às escolas uma proposta pedagógica sólida, que respeita rigorosamente cada etapa do desenvolvimento e da aprendizagem dos estudantes.
Na Educação Infantil, essa jornada começa de forma lúdica. Antes do contato com telas, o foco está em estimular a criatividade, a coordenação motora fina e noções de lateralidade por meio de musicalização e contação de histórias. Nesse ambiente seguro e investigativo, os conceitos fundamentais de programação e pensamento computacional já são trabalhados utilizando robôs programáveis sem telas, preparando o terreno cognitivo para os passos seguintes.
A evolução tecnológica acontece com estrita intencionalidade pedagógica, por meio de kits adequados para cada faixa etária. A introdução à Inteligência Artificial inicia-se de forma progressiva com atividades desplugadas, priorizando a assimilação de conceitos fundamentais e do raciocínio lógico. Nos Anos Finais, esse percurso culmina no uso de recursos como o kit Nous AI, uma ferramenta que possibilita aos alunos explorar a IA na prática, em um espaço seguro para investigar, testar, criar e errar. Dessa forma, a tecnologia deixa de ser um atalho para respostas prontas, tornando-se um meio para o exercício pleno do pensamento crítico e da autoria.
Formar cidadãos preparados para os desafios do século XXI exige coragem de toda a comunidade escolar. Em um cenário saturado de respostas prontas oferecidas por algoritmos, o papel da educação não é entregar certezas absolutas, mas garantir aos jovens o ambiente e a liberdade para perguntar, investigar, errar e reconstruir. A Inteligência Artificial pode ser uma grande aliada na aprendizagem, desde que o protagonismo e o esforço cognitivo permaneçam com o estudante. Afinal, só há inovação e criatividade reais onde existe espaço seguro para arriscar e errar.

Júlio
César de França Pereira
é bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC (UFABC). Especialista pedagógico, possui uma década de experiência na área de Educação Tecnológica, atuando como professor, orientador, desenvolvedor de materiais didáticos em cultura maker e robótica, além de ministrar palestras e formações para educadores das redes pública e privada em todo o Brasil. Atualmente é consultor comercial na ZOOM Education for life e integra a equipe de multiplicadores do Vozes da ZOOM
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